Talentos de mão única É inegável a visão do empresário-senador, Roberto Cavalcanti, na contratação jornalistas para os quadros do Sistema Correio. A empresa emprega o que ainda presta no jornalismo da Paraíba.
A questão é que os profissionais dos 'Correios' podem apenas denunciar práticas de corrupção da Família Cunha Lima; As do patrão, nem pensar. Os jornalistas Rubens Nóbrega, Hélder Moura e Marcos Marinho, três dos melhores quadros do jornalismo da Paraíba possuem perfis parecidos. Dominam com capacidade o rádio, o jornal e a televisão, foram vítimas e são desafetos da Família Cunha Lima. Na empresa que trabalham são mantidos sob rédeas. Quando os então poderosos Ronaldo e Cássio Cunha Lima "mandavam" no Sistema Correio, eles foram vítimas dos dois. Hélder Moura mais do que Marcos Marinho e Rubens Nóbrega. Hélder Moura, recém casado, ficou desempregado após ser demitido da Prefeitura de Campina Grande por Cássio. Ele confessa que sua família chegou a passar fome. Rubens Nóbrega, editor do próprio Correio da Paraíba, foi demitido por determinação do então governador Ronaldo Cunha Lima. Rubens, corajosamente, denunciou que a Família gozava dos prazeres de hotéis de luxo e pagava a farra com dinheiro público. A desavença do jornalista Marcos Marinho com os Cunha Lima foi por negócios. Ele e Cássio Cunha Lima eram sócios e o fim da parceria gerou uma profunda antipatia entre eles. Pior para os Cunha Lima. Como no velho ditado que diz: nada como um dia atrás do outro, através do próprio Sistema Correio, agora sob tutela de José Maranhão, os três foram à forra. Denunciando irregularidades praticadas nas administrações de Ronaldo e Cássio, eles desestabilizaram seus governos e contribuíram para que os dois fossem cassados. Contribuição maior para que isso ocorresse somente a do jornalista Geovaldo Carvalho. O outro lado da moeda Se por um lado esse trio de ouro do jornalismo da Paraíba ofereceu uma enorme contribuição, fazendo estancar verdadeira sangria com dinheiro público, eles são obrigados a fazer vistas grossas a outros escândalos que pipocam. O maior deles só foi possível tomar conhecimento através da grande imprensa do Sudeste e envolve o próprio dono do Sistema, Roberto Cavalcanti. Após ganhar de mão beijada uma vaga no Senado, sem um voto, Cavalcanti ficou conhecido no País inteiro ao ser denunciado por responder 92 processos por crimes de corrupção. Nem o que é considerado o político mais corrupto do Brasil, Paulo Maluf, possui um currículo tão ficha suja. Um recorde para Guiness, infelizmente. Agora, já imaginaram se o melhor profissional do jornalismo do Sistema Correio, Marcos Marinho, resolvesse, se pudesse, escavacar a botija que foi enterrada na construção do Mercado da Prata, assim como fez com a construção do Viaduto de Campina Grande, pelo ex-Cássio Cunha Lima? Botijas são segredos de arco íris... O preço de cada um A imprensa campinense é tratada de segunda categoria até para receber "gratificações" A agência de publicidade do jornalista Rui Dantas, funcionário do Sistema Correio, pra variar, que ninguém sabia sequer que existia, foi "contemplada" com uma verbinha emergencial pelo governo do estado, de 2 milhões de reais para se gastar em apenas três meses.
Esse valor representa cerca de 700 mil reais-mês. Se a agência de Rui Dantas for controlada por 10 sócios, por exemplo, significa que cada um embolsará no final dos três meses 199 mil reais. Uma verdadeira fortuna. Por outro lado, pras bandas de Campina Grande, "gente de peso", do próprio Sistema Correio de Comunicação, estão se submetendo a constrangimento público de aceitarem recebimento de uma "gratificação" mensal em torno de 600 reais, pagas pelo mesmo governo, apesar de ser para não fazer nada. 600 reais é mais ou menos o que recebe uma empregada doméstica, com direito a dormida, comida e roupa lavada; férias regulares e descanso nos finais de semana. Trata-se de uma situação profissionalmente humilhante e depreciativa, além de, aos rigores da Lei, criminosa. Principalmente se eles levarem em consideração que para receber esse agrado está se cortando de funcionários que trabalham e produzem.
Escrito por Cláudio Goes às 08h27
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